A escrita preserva aquilo que o noticiário diário costuma deixar para trás.
O acervo de Cléber reúne futebol, política, rádio, personagens e memória de Goiás. Em destaque, três histórias revelam como a experiência pessoal também pode registrar a história coletiva.
Cada crônica parte de uma pessoa, um clube ou um acontecimento para registrar um tempo e uma forma de viver o estado.
Os temas revelam como Cléber transforma experiência pessoal, jornalismo e convivência com personagens históricos em leitura cultural do estado.
Clubes, dirigentes e decisões
Atlético-GO, Goiás, Vila Nova, Goiânia, Aparecidense, personagens e bastidores institucionais.
Vozes que construíram a comunicação
Profissionais, emissoras, memórias de trabalho e valores que atravessaram gerações.
Bairros, histórias e pertencimento
Transformações urbanas, tradições, personagens e a memória afetiva da capital.
Instituições e personagens públicos
Crônicas e opiniões sobre acontecimentos, lideranças e vida pública em Goiás.
Vidas que merecem registro
Textos que preservam o legado de profissionais, amigos e personagens goianos.
Palavra, rádio e identidade
Reflexões que conectam comunicação, cultura e história regional.
Abra a história e acompanhe o contexto completo.
Selecione “Ler aqui” para acompanhar cada narrativa. Ao final, o acesso à publicação original no Sagres permanece disponível.
Mané de Oliveira e o rádio como companhia, escola e destino
Uma lembrança pessoal que começa em um quarto de hospital e atravessa décadas até o encontro profissional com um ídolo.
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Mané de Oliveira e o rádio como companhia, escola e destino
Uma lembrança pessoal que começa em um quarto de hospital e atravessa décadas até o encontro profissional com um ídolo.
Antes de o rádio se tornar profissão, ele foi companhia. Foi dentro de um hospital em Campinas, ainda criança, que Cléber Ferreira encontrou na pequena voz de um aparelho a pilha uma janela para o mundo.
O isolamento médico impedia o contato normal com a família. Um irmão conseguiu autorização para entregar-lhe um rádio portátil, e foi por meio daquele objeto que o tempo começou a passar com futebol, narrações e reportagens. Entre as vozes que chegavam ao quarto estava a de Manoel de Oliveira, o Mané, então profissional da Rádio Difusora.
A admiração nasceu antes do encontro. Cléber acompanhou as mudanças de emissora, as equipes formadas por Mané e o modo particular como ele ocupava todas as funções do rádio esportivo: narrava, reportava, comentava, comandava e abria espaço para novos profissionais. Anos depois, em 1989, o menino ouvinte também chegaria à Rádio Difusora como aprendiz de repórter.
O primeiro encontro pessoal ocorreu no Estádio Serra Dourada. A convivência profissional viria em 1994, quando Mané convidou Cléber para integrar a equipe que assumiria na Difusora. O convite representava mais que uma mudança de trabalho: era a oportunidade de dividir a rotina com alguém que havia ajudado a formar sua relação com o rádio.
Na memória de Cléber, a voz imperativa escondia um homem generoso, solidário e incapaz de guardar rancor. As histórias de bastidor mostram um chefe que acolhia profissionais em dificuldade e colocava o cuidado com as pessoas acima das mágoas pessoais. A crônica transforma o perfil do comunicador em um retrato de humanidade.
Ao recordar uma conversa sobre rádio e televisão, Cléber revela o centro da relação de Mané com o veículo: a televisão podia representar resultado econômico, mas o rádio era elemento vital. Assim, o texto deixa de ser apenas uma despedida e se torna parte da história oral da comunicação esportiva goiana.
Dalva de Oliveira, a voz que ocupou o trono do rádio goiano
A trajetória de uma comunicadora que transformou audiência, programação e memória afetiva em Goiás.
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Dalva de Oliveira, a voz que ocupou o trono do rádio goiano
A trajetória de uma comunicadora que transformou audiência, programação e memória afetiva em Goiás.
Cléber apresenta o rádio como um reino construído por vozes capazes de permanecer na memória muito depois do encerramento de um programa. Nesse universo, Dalva de Oliveira conquistou o reconhecimento de Rainha do Rádio Goiano.
A história profissional de Dalva atravessou diferentes fases da comunicação em Goiás. Ela começou como rádio-atriz na antiga Rádio Clube de Goiânia, ainda nos anos 1950, e depois assumiu programas de grande audiência. Sua presença ajudou a consolidar horários, formatos e relações diretas com o público.
Na Rádio Difusora, integrou um período de modernização técnica e artística da emissora. Um dos marcos foi o programa “A Sorte é Sua”, realizado ao lado de Darcísio de Souza. A atração saía do estúdio, ocupava estabelecimentos comerciais e aproximava o rádio da vida cotidiana dos ouvintes.
Quando apresentou a ideia de um programa noturno de músicas românticas e poemas, enfrentou resistência. O projeto foi acolhido pela Rádio Clube e se transformou em “A Noite é Nossa”. O resultado mostrou a força de sua intuição: Dalva recuperou audiência e relevância econômica para a emissora, tornando-se referência também no período noturno.
A crônica ganha dimensão íntima quando Cléber recorda a amizade construída após conhecer pessoalmente uma voz que admirava desde criança. As conversas, as mensagens e o desejo de levá-la para conhecer o novo Estádio Antônio Accioly transformam a homenagem em registro afetivo.
Ao preservar essa trajetória, o texto não fala apenas de uma radialista. Ele ajuda a compreender a história das emissoras, dos programas populares, da publicidade e do vínculo emocional que o rádio criou com diferentes gerações de goianos.
Anésio Júnior: jornalismo, palavra bem escrita e capacidade de reunir
Uma homenagem que registra competência profissional, amizade e uma forma humana de enfrentar divergências.
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Anésio Júnior: jornalismo, palavra bem escrita e capacidade de reunir
Uma homenagem que registra competência profissional, amizade e uma forma humana de enfrentar divergências.
Na homenagem a Anésio Júnior, Cléber escreve a partir da perda, mas organiza a lembrança por meio daquilo que o profissional deixou como exemplo para o jornalismo e para as relações humanas.
Anésio é apresentado como jornalista polivalente, capaz de trabalhar nas editorias de política, cidades, economia e esporte. Atuou tanto em jornais quanto no rádio, sempre com atenção especial ao texto e à forma como a linguagem influencia a compreensão da notícia.
Para ele, uma redação bem construída precisava ter estrutura, precisão e cuidado semântico. O bom texto não deveria apenas transmitir dados: também deveria convidar o leitor a permanecer na leitura. Essa exigência acompanhou suas passagens por diferentes veículos impressos de Goiânia.
No rádio, Anésio compreendia que a voz precisava carregar intenção. Mesmo sem depender de um timbre considerado privilegiado, sabia usar ritmo, presença e interpretação para dar vida à informação. A competência vinha menos do efeito e mais do domínio da mensagem.
Cléber destaca ainda uma qualidade que ultrapassava a técnica: Anésio era um pacificador. Ao perceber conflitos entre colegas, aproximava as partes e procurava reconstruir relações. A homenagem conecta essa postura ao valor do perdão, da inclusão e da capacidade de reunir.
O texto, escrito durante a pandemia, transforma a despedida em compromisso. Ao registrar a vida do amigo, Cléber preserva uma ideia de jornalismo que combina qualidade profissional, responsabilidade com a palavra e humanidade no convívio.
Uma obra que atravessa formatos e gerações.
As 208 publicações catalogadas formam um amplo registro sobre futebol, rádio, política, cultura e personagens de Goiás — material capaz de alimentar novas leituras, entrevistas, livros, podcasts e projetos de memória.
